A arte imitando a vida na poesia de Cora Coralina – por Susana Nogueira

Publicado: 14/03/2011 em Artigos

“Cora Coralina, quem é você?” “Eu sou a terra, eu sou a vida”. Quem foi Cora Coralina? Eis uma boa pergunta para o leitor que por ventura nunca tenha ouvido falar em uma das nossas melhores escritoras goianas. Uma doceira de mão cheia, dona de casa, costureira, mãe… uma mulher inclinada a versejar, uma escritora singular ao expressar a palavra em seus versos, construindo sua memória individual através da reconstrução da memória coletiva: “…a memória imanta toda a sua obra, é o sopro alimentador dos motivos e temas inspiracionais que ganham a forma de poemas” (Camargo, 2006, p.61)

No poema cujo título se encontra entre aspas no início deste texto, temos a representação se assim podemos dizer de quem foi Cora Coralina, cuja biografia está intimamente ligada à produção artística da poetisa: “Sou uma mulher como outra qualquer/ Venho do século passado/ e trago comigo todas as idades”. Podemos observar a universalidade que perpassa estes versos quando o eu – lírico se identifica como sendo uma mulher comum, igual a todas as outras e que já vivenciou várias experiências ao longo de sua jornada terrestre.

Descrevendo e identificando-se com a cidade de Goiás, sua cidade natal, bem como retratando a exploração das riquezas naturais do local: “Numa cidade de onde levaram/ o ouro e deixaram as pedras”; o eu – lírico rememora nos versos do poema em questão, através do espaço narrativo, sua infância, adolescência e ainda a severa educação atribuída à sociedade patriarcal de sua época: “Os castigos corporais/ Nas casas/ Nas escolas/ Nos quartéis e nas roças.” Ao mesmo tempo ele diz ter sido testemunha de fatores históricos importantes de nossa sociedade, como a libertação dos escravos e o surgimento do trabalho livre, bem como a queda da monarquia e a ascensão da república. Os fatores históricos e a vivência de mundo de Cora contribuíram para sua firmação identitária enquanto ser pensante nos domínios literários, como disse Teixeira 2006: “identidade é um processo de construção de significados, baseado em um conjunto de atributos culturais inter relacionados, que prevalece sobre outras fontes de sentido”.
Os castigos infligidos ao eu poético não conseguiram reprimir a liberdade criadora de Cora: “ Numa ânsia de vida eu abria/ o vôo nas asas impossíveis/ do sonho”, que sentia necessidade urgente de exteriorizar. Mesmo privada de estímulos familiares, foi sempre otimista: “Recomeça”. Sua poesia esteve durante algum tempo oculta sob o véu do pseudonomio, no mais recôndito ser de Cora, dizeres que pulsavam, aguardando o momento propício para ser transposto ao papel e quando isso aconteceu a poetisa conseguiu imortalizar a poesia e a cidade de Goiás através de suas palavras que foram construídas artisticamente em torno de um eu- poético: “futuras gerações que hão de me ler”.
A poesia de Cora é singela e autentica apresentando um hibridismo de gêneros, em que se mesclam a narrativa, a subjetividade lírica e por vezes ainda manifestações dramáticas, que enriquece ainda mais sua obra. Identificando-se com as classes menos favorecidas Cora procura escrever poemas reflexivos cujos personagens são as lavadeiras, prostitutas, menores abandonados, através de uma expressiva liberdade de criação, em que ela desarticula a linguagem para remontá-la a sua maneira, através da consciência do eu de estar no mundo.

Referências Bibliográficas
CAMARGO, Goiandira Ortiz de. Cora Coralina: uma poética para todas as vidas. In DENÒFRIO, Darcy França e CAMARGO, Goiandira Ortiz de (organizadoras). Cora Coralina celebração da volta. Goiânia: Cânone Editorial, 2006.

TEIXEIRA, Cristiane Pires. A construção da identidade feminina em vintém de cobre: meias confissões de Aninha. In DENÒFRIO, Darcy França e CAMARGO, Goiandira Ortiz de (organizadoras). Cora Coralina celebração da volta. Goiânia: Cânone Editorial, 2006.~

Disponível em: http://www.jornaldacidadejatai.com/index.php?CodPagina=31&CodBloco=17&CodConteudo=752

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comentários
  1. oi profe achei esse texto muito legal pois mostra as reposta de perguntas e os passos coisas legais e estudiosas da cora a artista que estudamos ano passado na feira cultural junto com a professora Mariá e acho que vai nos ajudar com as provas.Gostei do formato do texto é ‘gostoso’ de ler e muito legal pois tem algumas duvidas que temos e que esta no texto…

    obrigado !!!
    se vemos por ai !!!
    ate mais fique com algumas charadas ai.
    BAY!!!!!!!!!

  2. oi profe achei esse texto muito legal pois mostra as reposta de perguntas e os passos coisas legais e estudiosas da cora a artista que estudamos ano passado na feira cultural junto com a professora Mariá e acho que vai nos ajudar com as provas.Gostei do formato do texto é ‘gostoso’ de ler e muito legal pois tem algumas duvidas que temos e que esta no texto…

    obrigado !!!
    se vemos por ai !!!
    ate mais fique com algumas charadas ai.
    BAY!!!!!!!!!

    QUAL É O FILME PREDILETOS DOS TRABALHADORES DA SEXTA -FEIRA?????

    R= O DIA DEPOIS DE AMANHA KKKKKKKKKKKK

    obs: so coloquei essa “piada” pois eu tinha esquecido de colocar o email e o site , quando preenchi estava como que eu ja tinha “falado” (escrevido e mandar) esse comentario ai eu tive que acrecentar

    POR FAVOR NAO REPARE E NAO CORRIJA OS ERROS ORTOGRAFICOS ESTOU ESCREVENDO COM PRESSA PARA A MINHA IRMA MECHER NO COMPUTADOR…

  3. mardepoesia disse:

    Que bom que você tenha gostado do texto Laura! abraço

  4. Igor Iessemim disse:

    Interessante o texto

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